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Fábrica de Poemas


053 - JARDINS DE JULHO

Tu flores de maio

Agora jardins em julho,

Crescestes, já quase choras

Teu choro de libertação.

 

Encanto, mágica ainda não revelada,

Tu sol no verão,

Chuva no inverno,

Raio, que parte o meu coração.

 

Que dividido seja-o

Igual ao orvalho com o clarão

Que se alegre e sorria todos os dias

Que se deite e relaxe quando à escuridão.

 

Tu jamais te sentirás sozinha

Pois estará tudo que tenho

A minha metade emotiva

E a outra metade razão.

 

Cultivarei teu amor e tua vida

Te regarei quando no verão

E colherei cada ação, palavra, gesto,

Depositando tudo dentro do meu coração.

 

Serei teu tudo, manhã, tarde e noite,

Ate cresceres e poderes ser tu mesma

Quando serei teu chefe, servo e conselheiro,

Ou simplesmente teu pai, amigo e irmão.

 

És minha filha, minha sina, minha Eva

E o elo da minha vida com os Céus.

Assim como dos Céus viestes como benção,

Pagarei para o mesmo, com orgulho, amor e paixão.

 

Volto a ti, e o brilho dos teus olhos

Quebrando a barra do dia

Será a luz que me guia, minha filha,

Será minha fé, crença e satisfação.

 

Ah! Teus olhos confundem Céus e Mares,

Mas jamais confundira o amor dos teus pais por ti.

Tu florzinha da tua mãe e jardim de teu pai,

Receberás destes sempre o que te der paz.

 

Agora dorme esse teu sono lindo, ao lado de tua mamãe,

Enquanto isso papai fica sorrindo,

Bobo com cada gesto das tuas mãos,

Tu és Jardim minha filha, Flor, Amor, Paixão.

 



Escrito por EMILSON S. CARVALHO às 20h35
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INDICE DE TÍTULOS

 

  1. EM MEMÓRIA DE TI.
  2. SAGA DE UM PESCADOR.
  3. O CANTADOR.
  4. O TEMPO.
  5. DUPLO HOMICÍDIO.
  6. PASSATEMPO.
  7. O QUE ME FALTA SOU EU MESMO.
  8. PÔR-DO-SOL.
  9. O COMEÇO É O MEU FIM.
  10. FUI O QUE QUIS. SOU O QUE QUEREM.
  11. BIOFOBIA DE LARA.
  12. OS BRAÇOS QUE TE CARREGAM.
  13. EPITÁFIO.
  14. CARA-METADE.
  15. PARADOXO.
  16. ENFIM TE ENCONTREI.
  17. HOMEM-GATO.
  18. ENTRE A ETERNIDADE E O PRESENTE.
  19. DEUS; O CARRASCO E A ESPERANÇA.
  20. POLICARPO QUARESMA.
  21. UM HOMEM SEM PASSADO.
  22. MATEMÁTICA.
  23. INACREDITÁVEL OU INDESCRITÍVEL?
  24. O TEMPO II – A QUEDA NO ABISMO.
  25. HOMEM-BOMBA.
  26. A ARCA DE NOÉ?
  27. O QUARTO ESCURO.
  28. DUAL.
  29. A TERRA DOS POETAS.
  30. ANJO NEGRO.
  31. ORAÇÃO PARA PADRES.
  32. SOU UM...
  33. O PREÇO DE UMA  VITÓRIA.
  34. TERRA PEQUENA, POVO GIGANTE.
  35. PORTAS DE UM SÓ DESTINO.
  36. A RESPOSTA DE JESUS.
  37. EPITÁFIO II – PORQUE A VIDA CONTINUA.
  38. POLICARPO QUARESMA II – O TRISTE FIM.
  39. VOCÊ.
  40. ARCO-ÍRIS.
  41. CONTRA TESE PARADOXAL.
  42. NARCISO NA AGONIA.
  43. O JULGAMENTO DO POETA.
  44. A HISTÓRIA DE UMA MASSAGEM.
  45. O JULGAMENTO DO POETA II – DOS CÉUS A TERRA.
  46. EPITAFIO III – VIDA APÓS A ETERNIDADE.
  47. DOIS CORAÇÕES – PORQUE TODOS POSSUEM 1 DIA PERFEITO.
  48. SOMOS A PRÓPRIA POESIA.
  49. SOCIEDADE QUE MATA.
  50. 10 X + ILUSÃO.
  51. Mãe...
  52. MINHA MELHOR VIDA.


Escrito por EMILSON S. CARVALHO às 09h39
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052 - MINHA MELHOR VIDA.

Pensei nas mais diversas formas de começar a falar,

E escrever poemas para você que passa a ser,

De agora a diante, a perfeição do poema, da rima, do verso,

A perfeição.

 

Nesse momento o mais querido ou querida,

Não representará nada de você.

És na verdade, o mais amado ou amada,

O amor.

 

São as primeiras linhas de um poema que jamais terminará,

Pois nada será suficientemente satisfatório para te representar,

É complexidade, é detalhe, és meu todo,

É tudo.

 

Meus dedos parecem não saber representar tal grandeza,

Não lembro de ter em minha sapiência palavra tão grande.

É cultura, é loucura, és sanidade,

É ciência.

 

A partir de agora o valor máximo de tudo é você,

Nenhuma sensação será melhor,

Nenhuma responsabilidade será maior,

É exclusividade.

 

É a minha faculdade e integridade,

Meu orgulho e minha felicidade,

É a plenitude divina, o desejo mais sublime,

És a própria divindade.

 

Com a tua grandeza apenas o mar,

Com a tua importância apenas o ar,

Com a tua ignorância todos os humanos,

Mais que tua ciência apenas os céus.

 

Ah! Nunca se deixe amedrontar,

O escuro que nesse momento não te deixa enxergar,

É o véu da barriga de tua mãe que por hora

Te alimenta e me faz alimentar.

 

Esse sonho que sonhei um dia e que agora se realiza,

É você meu filho ou filha, minha melhor alegria.

É a razão da minha euforia,

Minha paz e o meu dia a dia.

 

Por isso venha como as flores, no seu tempo certo,

Ou como as poesias, verso a verso.

Tu não nascerás como um estranho,

Mas chegará como um hospede, um hospede eterno.



Escrito por EMILSON S. CARVALHO às 21h20
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051 - MÃE...

É tão bom ti ver e ter a certeza de ti.

É tão bom sentar a mesa e ti sentir.

É tão bom te beijar e te ver sorrir.

É tão bom ser teu filho, ser tua filha.

 

É tão bom poder dividir meus dias com você,

Você que dividiu a vida comigo,

Que me educou e que continua a educar,

Você que me deu a chance de dividir a minha vida.

 

É tão bom ter você que é sempre senhora,

Senhora do destino de todos os seus filhos,

Senhora daqueles todos que te admiram,

Senhora da tua e de todas as vidas que gerasse.

 

É pouco e insuficiente qualquer elogio que eu faça,

Mas faço com todas as palavras que me são maiores,

E se minhas maiores palavras forem pequenas perto de ti,

Não me causará espanto algum, pois eu já esperava que fossem.

 

Nenhuma palavra que eu diga representará de igual tamanho,

O que gostaria de dizer em todos os momentos da minha vida.

Se Amor for a palavra que chega mais próximo disso,

Então só posso dizer uma coisa, Eu te amo Mãe.

 

Sei que ao nascer recebi como presente ter a você como mãe,

Por isso tento todos os dias te dá como presente um bom filho, uma boa filha.

Sei que muitas vezes não consigo,

Mas prometo melhorar mamãe.

 

Mãinha, quantas vezes eu te chamei assim,

Quantas vezes mais eu te chamarei.

Mãe chame esses teus filhos como quiser, e eles te atenderão,

Mesmo que algumas vezes na segunda ou terceira vez.

 

Creio que não gostaria de ser um filho perfeito,

Porque não sei quantas vezes tu me ensinaste quando errei.

Para mim não existe outra possibilidade,

Ser filho perfeito só sendo mesmo teu filho.

 

E tê-la como mãe é como ter um sol todas as manhãs,

Pois em tua presença está a minha renovação diária.

És um espelho mágico que diz e faz sempre a mesma coisa,

Amar os teus filhos, acima de qualquer entendimento e orgulho teu e dos outros.

 

Mãe, tantas vezes foi mais que isso,

Quantas vezes abandonaste teu posto e foste irmã, foste amiga.

Quão fácil é ser teu filho, tua filha.

Mãe! A verdade é que não sei viver sem tua benção.



Escrito por EMILSON S. CARVALHO às 21h18
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050 - 10 X + ILUSÃO.

No principio havia um sonho

Depois esse se tornou realidade

Da realidade fez-se o desejo

E desse desejo, a ilusão.

 

Então, quatro anos se passaram

Em um piscar de olhos.

E o sonho abraçou o desejo,

E a ilusão virou realidade.

 

Foram quatro anos de sonho,

Alguns dias de desejo,

Algumas horas de realidade,

E ilusão na posteridade.

 

Dessas palavras todas restam duas verdades

Que ninguém jamais poderá dizer que não:

Sonhar além sem ter amado,

Ter feito real uma ilusão.

 

Agora pago o preço de ter sonhado,

Pois brincadeiras não cabem no coração,

Mas não há arrependimentos, escolhi essa opção,

Ter horas de realidade, ter na vida uma ilusão.

 

Disseste-me algumas vezes

Que saberias o melhor momento,

Mas só a noite acreditei, quando eu te perguntei e te ouvi dizendo,

Esse é sim o melhor momento.

 

Nesse momento abandonei meu sonho

E arrisquei tudo no desejo,

Transformando a faísca de um beijo

Na melhor última ilusão de um coração.

 

Ilusão quantas vezes repetida fostes

Dentro dos seres que buscam outro coração.

Coração, vezes iludido serás

Na busca de uma paixão.

 

É rápido demais, faz o coração acelerar,

100, 110, não. 200,210 batimentos cardíacos.

É ilusão demais para um cardíaco

Que agora vivi dando voltas nesses versos.

 

Foram quatro anos de sonho,

Alguns dias de desejo,

Algumas horas de realidade,

E ilusão na posteridade.

 



Escrito por EMILSON S. CARVALHO às 21h16
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049 - SOCIEDADE QUE MATA.

Uns o julgavam doido,

E faltavam com respeito,

Não o escutavam,

Não falavam com ele.

 

Outros diziam que ele era só,

E sentiam pena,

E procuravam pessoas para contar isso,

E todos conversavam sobre ele.

 

Algumas pessoas sentiam medo dele,

Diziam que ele era esquisito,

Que o olhar dele era malvado,

Que o seu físico os impusera temor.

 

 

Outros tantos diziam que ele era rude,

Que ele era capaz de tudo,

Podia matar sorrindo,

Derramar lágrimas só para enganar.

 

O chamavam de destemperado,

Que talvez fosse assim devido usar drogas,

Que talvez fossem os lugares que freqüentava,

A família que possuía.

 

Diziam que ele não tinha coração,

Que nem os pólos eram tão frios quanto ele,

Que não tinha sensibilidade,

Que o sangue dele era de réptil.

 

Tinha coisas que eram quase unânimes,

O brilho do olhar dele, ausente.

Passos calculados.

Que ele não era humano.

 

Depois disseram que não tinha estilo,

Usava roupas rasgadas e amassadas,

Calçados sem solados,

Era um verdadeiro maltrapilho.

 

Mas teve uma coisa que todos se esqueceram,

Teve uma coisa que todos se enganaram,

Que todos julgaram equivocadamente.

Ele era humano e tinha sim coração.

 

Sexta-feira, ônibus lotado de crianças quase caindo da ponte mais alta da cidade,

Ele corre, se arrisca salvando as crianças. A ponte sede com um ônibus e um homem.

Não houve antes, dia mais triste do que este na cidade,

Nem precisará dias suficientes para se arrepender todos que julgaram equivocadamente.



Escrito por EMILSON S. CARVALHO às 21h15
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048 - SOMOS A PRÓPRIA POESIA.

Eu viajei quilômetros para poder ouvir tocar

Essa canção maravilhosa que é a tua voz.

Mas por sorte ou traços do destino,

Pude te ouvir e tocar tua pele.

 

Aqui realmente é o paraíso,

Perto do teu peito o tempo não deveria passar.

Ainda que duvide os que podem dizer me conhecer,

Sinto sempre que estou perto de você a essência da eternidade.

 

Aqui, ao teu lado, é a própria eternidade,

É todo o poder celeste, é a divindade.

É a graça de todas as verdades,

É o saciar, referindo-se as necessidades.

 

Como são doces as palavras dessa letra, sua boca.

Como é lindo o produto dela, seu sorriso.

Como é macio o protetor desse sorriso, teus lábios.

Como é indecifrável a união deles com os meus, o beijo.

 

Tenho certeza que nenhuma canção se fez tão bela,

Pois a natureza das palavras e do sentido delas,

Só são supremas, só são unânimes, pusilânimes,

Quando se referem a você ou quando és tu própria.

 

Chega de fingir que você é especial para mim,

Pois meu coração não me permite te resumir a isso,

És maior do que tudo imaginável e inevitável,

És especial e és a minha especialidade.

 

Tocar tua pele é esculpir obra prima,

E estar bem ao seu lado é a minha sina.

Ouvir tua voz é um desejo átomo e feroz,

Que grita e se rebela em meu ser como um preso no cárcere.

 

Se fosse apenas um desejo seria fácil se livrar,

Mas tornou-se essência, vista dentro do meu olhar,

Pois vejo claramente agora,

Que só as grades do teu coração podem me libertar.

 

Se fosse somente desejo e essência,

Até de grades poderia eu escapar,

Mas já é vida, e assim sendo, não poderei evitar,

Visto que nem mesmo correntes poderiam sustentar o peso desse amor para enforcá-lo.

 

E tudo se transformou desde o momento daquele ósculo,

Eu virei o próprio poeta,

Você a própria inspiração e bel-prazer,

Juntos eu e você, nós, somos a canção, somos a própria poesia.



Escrito por EMILSON S. CARVALHO às 21h14
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047 - DOIS CORAÇÕES – PORQUE TODOS POSSUEM 1 DIA PERFEITO.

Por uma tarde inteira a tive diante dos meus olhos,

Por uma tarde inteira tive paz,

Por uma tarde inteira tive você comigo,

Por uma vida inteira eu irei querer ter mais.

 

Como se eu merecesse tanto,

A noite parecia seguir o ritmo da tarde,

E eu e você nos deixávamos guiar.

A partir daí já não podíamos mais evitar, já éramos nós.

 

E nos entregamos, pois já não podíamos evitar,

O que você sentia por mim

Estava estampado no meu olhar,

Fazendo a recíproca tornar-se verdadeira.

 

E caminhamos, caminhamos ao encontro de um beijo,

De um beijo tão esperado que nos fizera correr,

Correr para encontrá-lo o mais rápido possível,

Porque já era impossível conter aquele beijo.

 

Beijamo-nos e tudo se tornou confuso,

Troquei o horizonte todo pelo seu olhar,

Preferi seu beijo à imensidão do mar,

E confundi a brisa com a brasa do nosso olhar.

 

Mas o mar queria mais e veio nos convidar,

A um mergulho noturno para coroar,

Uma tarde inteira de bem estar que passamos,

Juntos, como as andorinhas e o verão.

 

Entretanto dissemos não.

A oferta era realmente tentadora,

Mas não queríamos que tudo terminasse,

Pois se isso acontecesse, como explicar isso ao coração?

 

A noite chegou com um banho de chuveiro,

E eu na frente daquele espelho esperando você entrar.

Sabendo que isso não aconteceria,

Saí o mais rápido possível para tê-la novamente aos meus olhos.

 

E olhos e olhares nossos revelavam e ensinavam ao mundo

O que o amor é capaz de fazer quando lhe dão chance,

Chance de prevalecer e tornar-se claro,

Onde nenhum programa NT é capaz de separar olhos e olhar.

 

E toda a noite seguiu o ritmo da tarde.

E por uma tarde inteira tive um dia que sonho para a vida inteira.

Nesse dia, encontrei você em mim e me achei dentro de você,

E juntos fizemos uma Amagoa tão bela como nunca antes vista.



Escrito por EMILSON S. CARVALHO às 21h13
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046 - EPITAFIO III – VIDA APÓS A ETERNIDADE.

Era um amor tão bonito, tão cheio de vida

Que as pessoas não sabiam se era um ou se eram dois.

Todos diziam que era igualzinho,

Que era feijão com arroz.

 

Mas ninguém lembrou de falar isso para eles,

Doce amor que acabou como o verão.

As flores de março soltas pelo chão revelam,

O amor dele e dela, apenas com ele, agora sem ela.

 

Oh! Amor! Quantas vezes desatino?

Quantas vezes solidão?

Quantas vezes ingênuas como um menino?

Quantas vezes mais ilusão?

 

É amor de um que só cabe em dois,

São sentimentos de dois como se fosse só para um.

É a alegria dos versos,

É a tristeza da rima.

 

É tu amor a dose exata ou uma medida?

É tu amor a cicatriz ou a ferida?

Que sois que foste para eles,

Indecifrável, como se foras as águas do mar.

 

Ai, Amor! Para que te juntasses,

Se ias te espalhar.

Ai, amor! Que sois que és para mim,

Conta-me para que não seja o meu fim.

 

É tu mistério ou revelação?

Segredo ou confissão?

Distancia ou união?

É tu amor, amor ou paixão?

 

Como eu preciso dessa explicação,

Minha racionalidade já escoa pelas minhas mãos.

Ai, amor! Que sois que és para ela,

Conta-me para eu revelar a ela.

 

És a guarita ou a sentinela?

A liberdade ou a prisão dela?

A tranqüilidade ou a sua morbidez,

Revelada em suas palavras frias de agonia.

 

Ah! Porque mudaram a estação?

Na primavera e outono eu estava inteiro em seu coração.

No inverno ela estava inteira em minhas mãos.

Mas de repente, chegou o verão.



Escrito por EMILSON S. CARVALHO às 21h12
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045 - O JULGAMENTO DO POETA II – DOS CÉUS A TERRA.

Parece que os céus estão contra nós,

Seria contra eu ou você?

Os deuses todos tiveram convenção,

E talvez tenham decidido que não mais amarei.

 

Ah! Porque me glorifiquei naquela hora

Por já ter amado duas vezes.

Acho que os anjos me entenderam errado,

Tirando de mim até mesmo o meu direito à defesa.

 

Ai! Porque Deus não me priva dessa vida

E ele mesmo me pune diretamente?

Não amar mais, será não viver mais,

E antes que morra outras pessoas, morro eu.

 

Oh, Vida! Será que os teus segredos

Não são menos que os da morte?

Oh, Vida! Se for vida que queres me mostrar,

Seja clara como os olhos azuis de alguém de olhos azuis

 

Ah, sequidão! Tens rachado o meu peito tão rápido

Que o sangue torna-se uma simples miragem.

Ah! Se tudo fosse miragem,

Minha dor não seria nada diferente.

 

Ser privado do amor é ser privado de viver.

É ser exilado de o meu próprio ser.

É ter olhos e não poder ver.

É achar você e me perder.

 

Como pode tanto amor assim

Ser privado pelos deuses?

Oh! Deuses! Fazes isso por qual motivo?

Se fosses humano imaginariam minha dor.

 

Em momento algum quis gabar o amor

Quando me considerei homem de sorte por isso.

Por ter amado, por ser amado,

Por demonstrar e fazerem demonstrar, amor.

 

Quem intercederá por mim

Em momento de loucura e de sofrimento?

Romeu, Julieta, Afrodite, Vênus,

Quem fará isso em prol de mim? Em prol do amor?

 

Quantas mitologias mais serão necessárias

Para pelo menos um Deus interceder por mim?

Oh, não! Nesse momento, anjos, deuses, bruxos, anunciam o veredicto,

Ninguém mais pode interceder por mim. É o fim.



Escrito por EMILSON S. CARVALHO às 21h08
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044 - A HISTÓRIA DE UMA MASSAGEM.

Comecei a peregrinar pelo teu corpo,

E as minhas mãos era um povo populoso,

E os meus dedos eram os indivíduos

De uma típica sociedade nômade.

 

Os teus pés eram um dos dois pólos,

Teus dedos eram pequenos montes,

Os povos visitavam bem lentamente cada monte

E se enroscavam até precisar visitar os outros.

 

Mas então o pólo sul, como assim foi determinado,

Esfriou muito e os indivíduos precisaram de algo quente,

Foi aí que eles começaram a grande viagem,

A viagem que marcaria para sempre suas vidas.

 

Assim que saíram da cidade Pés,

Eles tiveram uma grande surpresa,

Encontraram um solo muito bom para o cultivo de batatas,

Nomeando assim essa terra com o nome de Panturrilhas.

 

Nas Panturrilhas eles encontraram um ótimo lugar para viver,

Era uma terra próspera e feliz,

Os indivíduos subiam e desciam nos montes,

De lá até a cidade de Aquiles, próximo de Calcanhares.

 

Eles habitaram aí por muito tempo,

Mas já não havia terras suficientes para toda a população.

E eles não tiveram escolhas,

Novamente começaram a vagar para terras mais distantes.

 

Sem saber o que aconteceriam, eles povoaram a cidade Cintura Fina,

Que era um ótimo lugar para se divertir e apreciar a paisagem.

Tinha uma parte escorregadia que levava até a Queda do Umbigo,

Outra alta, que dava para ver terras muito mais além para ambos os lados.

 

Algumas pessoas decidiram ficar nessa cidade para sempre,

Outras decidiram se arriscar em terras mais perigosas,

E foram subindo pelo Vale do Dorso Espinhal,

Como se fossem explorações de reconhecimento e não de povoamento.

 

Foi então que eles se aproximaram de dois montes muito belos e tentadores,

Contudo ao se aproximar os indivíduos tiveram uma visão,

E nessa visão os deuses mostraram que terra como aquelas

Só poderia ser habitada por apenas um ser, um individuo.

 

Assim eles continuaram subindo pelo vale e encontraram o lugar perfeito para morar,

O pólo norte, a terra do pescoço, boca e olhos, terra maravilhosa de se habitar.

A viagem durou próximo de uma hora, e ao contrario do que dizem sobre momentos bons,

Ela durou o tempo suficiente para ser inesquecível.



Escrito por EMILSON S. CARVALHO às 21h06
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043 - O JULGAMENTO DO POETA.

As palavras me assassinaram,

E eu sou acusado de assassinato

E de formação de poemas,

Quando tudo é apenas suicídio.

 

Estou em um cativeiro sem grades,

Amordaçado pelos meus sentimentos,

Amarrado pelos pulsos a uma caneta,

Que revela um solitário que não tem ninguém.

 

E a porta continua aberta atrás de mim,

Mas quero ultrapassar essa parede.

Pois as janelas estão apenas nos desenhos de casa,

Que as crianças insistem em ter esperança de tê-las abertas na frente.

 

Todos me esperam do outro lado,

Mas ninguém trás um sorriso,

Ninguém está trazendo um abraço sincero,

Todos que estão me esperando trazem apenas algemas.

 

Por que a morte não me lança toda a sua sorte?

Por que a morte não me deseja a morte?

Por que prefere matar aos poucos

Alguém que é fraco se ela é tão forte?

 

Minha mente está condenada a me matar,

Meus dedos a rabiscar,

As unhas a arranhar

E os olhos a... Ai, os olhos.

 

Não existem mais braços, não existem mais pernas,

Não existem mais seios, cabelos, face,

Não existe mais corpo,

Não existe mais nada.

 

Não se tem mais como manter o que é bom,

Nem mesmo existem forças para fazer o mal,

Não existe mais esse tipo de árvore,

Não resiste mais alma.

 

Deixo de ser acusado passo a ser culpado,

Mas agora vejo que não era suicídio,

Acho justa a condenação e injusto o julgamento,

Consideraram meus escritos e não a minha voz.

 

É verdade conseguiram condenar o poeta,

Fizeram isso achando isso ser possível,

Esquecendo que o poeta é como um pouco de água na palma da mão,

Que foge quando tentam prender entre os dedos.



Escrito por EMILSON S. CARVALHO às 21h05
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042 - NARCISO NA AGONIA.

Quando caminhei no escuro

E todos apostavam que só estava com a solidão,

Nenhuma pessoa conseguiu ver,

Pois estávamos unidos pelo coração.

 

Quando encontrei a luz no fim do túnel

E todos correram para me abraçar,

Sem imaginar a dor dos meus infortúnios,

Abracei-os para não os decepcionar.

 

Quem diria que na claridade

Seria mais difícil te encontrar,

Mas decidi percorrer toda a cidade

Porque eram teus braços que eu queria abraçar.

 

Por que foges assim tão depressa

Que um beijo na testa eu não posso te dar?

Por que te escondes assim no escuro,

É para que eu possa te achar?

 

Fuga alucinada enfrentei dia a dia,

Cicatrizando feridas abertas e ardias.

E é assim no meio de todas essas agonias

Que passo os meus dias sem você.

 

De volta a escuridão, eu te vejo sorrindo

Um sorriso que só vi na escuridão.

Na escuridão dos meus olhos,

Na escuridão do meu coração.

 

Já consigo imaginar sua pele,

Pela qual volto a desejar,

Imaginando aquela horrível claridade,

Que te fez me abandonar.

 

Ainda não descobri se vale a pena abdicar

Da luz no final do túnel,

Pois era lá que queria levar você,

Era lá que eu queria que estivesses comigo.

 

Mas se a forma de ter você

For apenas essa que esta acontecendo,

Abdico de uma vida com luz do sol,

Para viver com a luz da tua vida.

 

Assim serás a luz da minha vida,

A raiz e o fruto, o fruto e a boca,

A boca e o beijo, o beijo e a marca,

A marca e eu, e o eu que sempre volta pra você.



Escrito por EMILSON S. CARVALHO às 21h05
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041 - CONTRA TESE PARADOXAL.

Chamo de antítese do paradoxo

Aquilo que me faz pensar que sou feliz,

Quando sou triste,

E vice e versa.

 

Como uma triste noite de felicidade,

Que caminhavam juntos a alegria e a falsidade,

E assim pensava eu ser impossível acontecer,

Uns morrerem para outros poderem viver.

 

Os amigos que se cansara de achar bom

A companhia um do outro,

Que esperam a chegada de mais um amigo,

Para falar das mesmas coisas sem se cansar.

 

E assim o mistério me revelava,

Que todas as bocas assim calavam,

Quando tinha algo pra dizer,

Sendo isso bom ou ruim.

 

Nesta mesma noite escura de lua irradiante,

Entendi apenas no final dela,

Que o questionamento de ainda haver amor em mim

Era uma declaração de amor por mim.

 

Mas voltando para onde nunca saí

Encontro-me perdido em meus pensamentos.

Que mente para alguém quando fala a verdade,

Pois crença é apenas uma palavra que satisfaz.

 

Então, não sei se amanhã o sol vai nublar o dia,

Ir-se-á nascer no poente para a noite não ser fria.

Não sei se estarei aonde terei que estar,

Sei que estarei lá mais vezes do que posso imaginar.

 

Entre outras, revelei de um negativo roubado,

Que positivo é o modo como se deve pensar.

Pois o nunca pode acontecer amanhã,

E o nada, alguma coisa que sempre iremos calar.

 

Descobri que contrário é o lado de lá e o de cá,

Que louco é apenas alguém com coragem de fazer,

Que o sonho é real se você o querer,

Que amar pode ser viver e sofrer.

 

Enfim, notei que não posso ser um paradoxo,

Porque isso é muito complexo para mim.

Porém se disserem que sou alguma parte disso tudo,

Chamo-me antítese, mas nunca, jamais de mim.



Escrito por EMILSON S. CARVALHO às 21h05
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040 - ARCO-ÍRIS.

Por que me fala com voz calma

Um passado que também o tive?

Por que me invade com olhar direto

Sem saber o que quer de certo?

 

Não me intimide,

Não me faça sonhar sem razão,

Chamas-me homem nobre,

Digo-te nobre é o meu coração.

 

Por isso não sejas tecido,

Sejas somente algodão,

Pois tocaste o que tenho de mais nobre,

Tocaste o meu coração.

 

Foram sim as tuas palavras

A grande culpada da minha atual ilusão.

Desculpe! Foram os meus sentimentos

Que estavam espalhados pelo chão.

 

Falas montando um quebra-cabeça,

A cada palavra ou peça uma nova visão.

Mas peço-lhe, clamo, rogo,

Não brinque comigo, não me jogues ao chão.

 

Eu não quis te fazer tão importante,

Dentro de mim até neguei a tua participação.

Mas você veio devagarzinho, abrindo meu caderninho,

Atiçando-me a mente e a mão.

 

Assim não sou suficientemente forte

E perco toda a razão.

Não só porque são palavras bonitas de emoção,

E sim, porque junto delas veio você, doce sensação.

 

E questiono-me que te levas a pensar assim,

Com que pernas chegaremos ao fim,

Dessa loucura insana, ou seria profana,

Que é o que sinto por ti.

 

Não! Se for negativo deixe-me com a ilusão,

Não destrua o meu castelo de areia,

E se diminua limitando-se a barreira,

Que é a fronteira entre as tuas ondas e o meu castelo de areia.

 

Mas se for sim, corra para mim, sinta minhas mãos,

Chegue perto do meu peito, escute o tum-tum do coração.

Pois minhas mãos desenharam um arco-íris lindo

Que só pode ser colorido por outras mãos.



Escrito por EMILSON S. CARVALHO às 21h04
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